
Agora que extravaso sentenças,
talvez as palavras não tenham sentido.
Como descrever sem muito ruído,
que o “gostar” é a pior das doenças.
Perco-me no olhar castanho,
sedento de bruta intensidade.
Que sentimento tão estranho,
este que me rompe a integridade.
Desvendo os cabelos macios,
de coloração semelhante ao olhar.
Densa e sedosa rede de fios,
que não é mais que gota nesse mar.
Nenhuma criatura ousa,
alcançar o timbre desse sorriso.
Prodígio inigualável de musa,
prova cabal da destruição do siso.
Se a mais bela entidade do Mundo,
fosse uma simples equação da beldade,
não estaria eu, ser sem alma e imundo,
apaixonado pela sua profícua personalidade.
Não! Não quero o fim das sensações!
Carrossel fascinante de alucinações.
Não peço a Terra, muito menos o Céu,
apenas que um dia, sejas brio meu.
