sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Eternidade


Pensei que gostasses,
Que da Vida falasse.

Prometi a Deus,
que guardaria o segredo,
para que ele protege os meus,
do eterno degredo.

Não, mas sei,
Não por quantas almas jurei,
Mas que da Existência,
só restara a consciência.

Vou um dia voltar,
Para um dia terminar.
Talvez num sopro de Eternidade,
Revelar toda a verdade.

Fel da Vida


Soubera que a existência
Consiste na sobrevivência
Constante ao flagelo diário,
Teria pedido um bloco,
Para desmascarar este mundo bacoco,
Primitivo e hereditário.

Afinal o nascimento
Não é mais que vazio
Momento de espera,
Que nem Quimera
derrotou no soslaio
acto de finamento.

Ignorância divina
neste mundo humano,
Afinal não lhes toca,
Se é Ricardo ou Carolina
Se é mole ou roca
Ou se é rico ou mundano.

Saciam os ‘Senhores’
Com a consumação da alma,
Suprime a lágrima à gravidade.
Protótipo de felicidade
estes desígnios do Karma,
Utopia da Ilha dos Amores.

Soubera eu a mitologia,
Que acontece nos céus,
E mandaria como réus
todos aqueles da presidência,
Culpados pela ausência
Daquele que perece,
Enquanto outro nasce.

Tivera eu autoridade
e o sofrimento teria fim,
Não só o que a mim
mancha o coração,
Como a toda a nação
Da colossal Humanidade.

Querer, quero VIVER.

sábado, 10 de julho de 2010

Correlação


Em pleno exercício mental disciplinado pelo Xadrez entrei na utópica reflexão, enquanto contemplava as peças de madeira perante o meu olhar, afinal a vida é mesmo um jogo.

O senso comum diria que o Xadrez é um jogo de tabuleiro constituído por trinta e duas figuras materiais, metade delas brancas sendo as restantes cor negra, cujo objectivo é ‘derrotar’ o oponente deixando sem alternativas e peças, e prestes a ser exterminado. Para tal, fazendo uso de um poder de concentração e astúcia superior ao opositor.

Sabem, tenho outra teoria. Depois de várias parcelas temporais dedicados ao cognitivismo, formulei a hipotética tese que o Xadrez não é mais que um mero reflexo da efeméride da vitalidade de um indivíduo que decidiu eternizar a sua passagem pela Terra num mero mapa branco e negro.

Passo a explicitar os argumentos que apoiam esta minha radical inserção do Xadrez no quotidiano humano.

Tomando as regras que regem este jogo, facilmente deparamo-nos com dezasseis peças coloridas de branco e dezasseis peças tingidas de preto, tendo cada cor oito peões, dois cavalos, dois bispos, duas torres, um rei e uma rainha.

Numa tentativa surreal de entrar no íntimo do ser criador do Xadrez, diria que este pretendeu dividir o Mundo terrestre em ‘bons’ e ‘maus’ expressos cada um deles pela cor angelical e pela cor da ausência, respectivamente.

Atentando na posição das figuras tridimensionais, o que me chamou atenção foram os oito peões de cada cor estarem na linha da frente. Ora, aqui encontrei uma crítica social à natureza humano, o mais ineficiente e deficitário das criaturas terrestres é sempre o primeiro a ser atingido pela sagacidade adversária.

Quanto a esses mesmo peões diria que são meros instrumentos da criatividade dos deuses, ou seja, o Homem não é mais que um simples peão da vontade divina em procura de derrubar o adversário.

Será que o fecundante do Xadrez era um mero peão na superfície terráquea, e ele próprio terá sido uma vítima da vaidade divina?

Não pude deixar de analisar as restantes peças, entre elas um cavalo. Teorizado por mim, tentando o jogo miraculoso da ‘bola de cristal’, será símbolo da perdição divina, da limitação da capacidade humana, da infinita procura de atingir os fins sem olhar a meios, tal facto comprovado pelo movimento uniforme em ‘L’ da figura equestre que evidencia o ‘atropelar’ das restantes figuras.

Terá o fecundante do Xadrez sido ele próprio um cavalo, e sentir-se-á ele culpado por ter atrocidado inúmeras personagens?

Bem, o capítulo ainda não encerra. Seria incoerente não mencionar as restantes maquetes carregadas de simbolismo que o criador do Xadrez, (in)conscientemente, demarcou no seu jogo.

Outra figura curiosa é uma torre. No meio de uma multidão de animais racionais estão 4 estruturas supostamente de pedra. Ora, mais uma vez esta peça tem uma conotação passional facilmente visível, senão vejamos: num mundo tão racional, ele mesmo expresso pelas figuras animalescas, a torre simboliza a objectividade, a verticalidade dos objectivos e sua respectiva concretização, rodeado do fragmento humano coração, eis que surge um novo fragmento, curiosamente num objecto irracional, a razão.

Seria desejo do fecundante do Xadrez algum dia vir a ser uma Torre?

Voltando aos animais, surge-nos a figura altiva e esguiça do bispo. Esta figura discreta revela-se muito matreira. É um artefacto que salta pouco à vista dos Deuses, no entanto, é de uma utilidade avassaladora. Revendo-me no gerador deste jogo de tabuleiro, penso que ele tenha encontrado no bispo um refúgio para as suas perdas durante o Jogo da Vida tanto fluxos perénicos humanos como materiais.

Terá o fecundante do Xadrez padecido de falta de misericórdia divina?

Faltam-nos as duas figuras mais emblemáticas, o rei e a rainha. Associando os diversos factos diria que o rei não passa de um mero objecto bacoco, deveras limitado nos movimentos, ocioso e de poderes pouco esclarecidos a quem nem sempre pode ser protegido pelos ‘escravos da Vida’ criado com o objectivo de criticar a limitação cognitiva dos Deuses.
Em contraste, surge-nos a rainha. Uma peça muito importante no exercício mental da resolução de problemas durante o jogo. A ela é permitido todos os movimentos, não tem restrições. Inteligentemente o autor do Xadrez pretendia criticar o facto de nem sempre o mais forte ser o mais poderoso, o facto de a Mulher ser capaz de ‘lutar’ contra as incongruências da vida sem necessidade de recorrer ao Homem. Analogamente, esta crítica esbate o provérbio de que nem sempre ‘por detrás de uma grande mulher está um grande homem’.

Quereria o fecundante do Xadrez criticar os casais divinos?


Jamais saberemos a posição em que o Concílio dos Deuses colocou o nosso admirável fundador da Era Xadrezista, no entanto, não podemos deixar de constatar que a sua clarividência e notável sentído crítico valerá-nos, ainda hoje, uma lição social e moral deveras marcante.


É-nos possível através de uma análise profunda retirar deste pequeno tabuleiro rectangular inúmeras conclusões contundentes: nem sempre o lado benigno se sobrepõe ao maligno, nem o maligno será um derrotado durante toda a sua existência. Muitas vezes, a Vida põe-nos em Xeque, tornando-se necessário arranjar soluções para todo o tipo de obstáculos que encontramos e, assim, conseguimos escrever aquelas histórias românticas de alguém que mudou o rumo da sua existência quando já se pensava que não havia nada a fazer, histórias essas que todos os dias orgulham a espécie humana. No entanto, a mais inegável e fidedigna moralidade que o Xadrez nos dá é que a história volta sempre a repetir-se independentemente do seu desfecho.

Concluíu com mais uma evidência da clara transposição da experiência existencial na Terra para o tabuleiro. No Xadrez, tal como na Vida, tomamos várias opções, cada uma delas conduzindo-nos a um único destino, a uma individualidade do acontecimento, a uma especificidade do acto VIVER.

A vida é um Xadrez, que nos faz um Xeque diariamente e nos transcende com um Xeque-Mate.. ou não, e a Eternidade?

PS: Perdoem-me o estilo demasiado Saramaguista, mas foi a melhor homenagem que consegui através das letras fazer a esse mentor da mudança social, a quem a vida lhe fez Xeque.. Mate?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Fala-me do Futuro


Questiono-me sobre o valor do futuro. Silêncio
Questiono-me sobre a efémeride do futuro. Silêncio
Questiono-me sobre a noção do futuro. Silêncio

Queria saber explicar o futuro, não o sei, o futuro é agora. É a contradição perfomativa do tempo, o futuro é daqui a um milésimo, um centésimo, um décimo, um segundo, um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década, um jubileu, um século, um milénio. O futuro é uma equação matemática composta pelas variáveis infinitésimais do tempo elevado à raiz da criatividade humana.

Queria saber compreender o futuro, não o sei, o futuro é irracional. Ainda não compreendi como o Homem programou a máquina do Tempo, perdi a conta aos inúmeros cálculos que operacionei para desmontar o meu futuro, o resultado sempre o mesmo, uma enorme conta algébrica com demasiadas variáveis dependentes do fragmento humano.
Jamais entenderei o papel dos cartomantes, dos mestres, dos tarólogos, será que estes já descobriram os circuitos electrónicos da Máquina do Tempo?

Queria saber avaliar o futuro, não o sei, o futuro é desconcertante. Hoje acordei sedento do futuro, talvez por me ter deitado demasiados vezes a consumir a minha mente com o futuro. Hoje sei que a maior parte do meu cérebro está coberta pelo vulto do futuro, o enorme monstro consumidor de células nervosas que todos os dias nos impingem interrogações, reflexões: E amanhã?

Não sei porque o Homem criou o futuro, se foi para rivalizar com os seus companheiros temporais se para devastar seres demasiado pensantes como eu. Fiz demasiados esboços sobre o futuro, nenhum deles foi imprimido pela Máquina do Tempo, todos eles acabaram por ser deletados enquanto o presente se encarregava de borratar certas linhas e, o passado, provocava falhas na codificação de esboços já consumados pelo mecanismo temporal.

O Futuro é AGORA!

sábado, 5 de junho de 2010

3 f's


Após um périplo de um mês em que me ausentei das lides literárias, venho matar o 'bichinho' expondo talvez a mensagem mais introspectiva que alguma vez escrevi. Pensei nela durante 3 anos, até que chegou a hora de a consumar.

Encontro-me no décimo segundo cruzamento entre o sul da minha liberdade e o norte da minha vivência, estou a pouco tempo de dizer um 'Adeus Eterno' a uma conjunto de seres que durante três anos preencheram o meu diário, mesmo sendo alguns deles perfeitos desconhecidos.

Hoje parei para escrever o que amanhã não mais verei, estou a escrever para aqueles que amanhã farão parte da recordação, são aqueles que tantas vezes observei e (não) falei, aqueles que tantas vezes apreciei e (não) gostei, são aqueles que tantas vezes presenciei e (não) me ausentei.

Ás Anas
Aos Brunos
Ás Carlas
Aos Danieis
Ás 'Elenas'
Aos Filipes
Às Gabrielas
Aos Hugos
Ás Ineses
Aos Joões
Ás Luísas
Aos Miguéis
Ás Nádias
Aos Octávios
Às Patrícias
Ás 'Qláudias'
Aos Ricardos
Ás Saras
Aos Tiagos
Ás 'Uilsons'
Aos Victores
Às Xanas
Aos Zés

Obrigado (:

PS: Amanhã talvez voz encontre com um bébé ao colo

sábado, 24 de abril de 2010

Pretérito, Presente, Futuro


Talvez numa das minhas crises existenciais, envolvi toda a minha estrutura cerebral e comecei a abordar a temática da vida.

Hoje estou com receio que tenha redimensionado a minha existência a uma mera paisagem bucólica.
Recuo no tempo e não vejo nada. Não! - não é por estar inócua - é por não ter vivido o pretérito. Fui tão feliz na minha infância, mas começo a perceber que tudo foi demasiado mecânico - talvez pela inocência do carácter - fui feliz porque o momento assim o exigia, não fui feliz por mim.
Analiso o presente, mas não tenho dados. Tenho dedicado demasiado tempo à formação que me esqueço que, parte integrante da minha formação, estão os amigos e a familia. Tenho tanto medo do caminho que hoje traço que receio a minha própria existência. Estou constantemente a fazer uma reflexão profunda ao momento que me esqueço de avaliar 'o meu momento'.
Projecto o futuro, mas sempre com uma borracha na mão. Fiz demasiados projectos em criança e esqueci-me de contabilizar os 'danos colaterais' e o 'orçamento'. Só sei que acabarei num buraco rectangular com sete palmos de profundidade.. ou não, poderei ser cinza.

Quero ser Horacista, sendo Estóico.
Sou Filósofo, querendo ser Matemático.
Procuro ser Tudo, mas não sou Nada.

Ontem era tudo, Hoje sou nada, Amanhã serei cinza

Post Scriptum:
Meu Deus, posso converter a ampulheta?

domingo, 4 de abril de 2010

Metáforas do amor


O amor é o símbolo do ‘eu’ expresso na metáfora da paixão.

O amor é a aplicação bruta da química humana, declarado pela actividade hormonal.

O amor é a capitulação da resistência humana.

O amor é a oferenda mais egoísta que fazemos.

O amor é a encriptação das emoções.

O amor é uma chave. È uma busca permanente pelo par correcto.

O amor é o confronto entre o consciente e o inconsciente, a imponência do insconsciente em busca da verdade consciente.

O amor é a discórdia imortal que leva à irracionalidade do ser.




O amor é.. o amor é aquilo que cada um define, que caracteriza. É o conceito mais abstracto observado pelo dicionário humano. È a problemática da consequência indefinida. È o alfa de cada expressão primitiva, é o ómega da petrificação humana.

Por mais mecânicos e cabalistas que sejamos, o amor é o desenlace do oculto e do causal, é o visível do invisível de cada ser presente neste pedaço de terra, a contornar sobre um eixo imaginário.



PS: Este post é dedicado aos adversários do Amor, aqueles que já perderam muitas batalhas mas ainda não sabem que lhes está reservado o triunfo final.


A ti, meu caro.

terça-feira, 30 de março de 2010

Dificuldade de expressão

Lágrima,
é lástima
do desenlace
expresso na face.

Sorriso,
é premonição,
um aviso
do coração.

Morte,
é demência
do norte
da vivência.

Nascimento,
é momento
da luminosidade
da entidade.

Existência,
é partitura
da essência
da criatura.

Fácil de exprimir


Chorar,
é reconhecer
que sofrer
é humanizar

Sorrir,
é exprimir
a alma..
humana.

Morrer,
é expirar
sem pensar
porque viver.

Germinar,
é contemplar
a humanidade
sem verdade.

Existir,
é perecer
a ver
gente partir.

sábado, 27 de março de 2010

para ti

meu querido Francisco,

neste momento são muitas as emoções e palavras que queria fazer transparecer para esta mensagem, mas duvido que sejam perfeitas o suficiente para alguém como tu. antes de mais e mais uma vez, PARABÉNS! – não por teres alcançado a maioridade, pois, certamente estás ciente do que esta idade acarreta, mas sim pelo percurso que fizeste até chegares aqui: até estes (pequeninos) 18 anos.
não sei se foi por acaso que nos conhecemos, mas sei com toda a certeza que nestes últimos três anos foste das melhores pessoas que encontrei, senão mesmo a melhor. encontrei e tenho vindo a descobrir que talvez sejas um refúgio, não só pelas horas de diversão pelas quais já passamos mas também porque nos dias maus penso muitas vezes para mim “porque é que não é tudo igual ao Francisco?”. sei que em 24 horas, muitas vezes não é possível nem sequer te cumprimentar e admito que por vezes também não existam muitos momentos de demonstração de afecto que se esperava. mas todas estas “vezes” não são um entrave para a Amizade(com “A” grande) que se gerou.
s o r r i s o - é algo de fantástico em ti. não o sorriso que implica apenas o acto em si mas o sorriso que irradia uma energia altamente positiva. Aliás todos os teus traços físicos são de realçar. é notável a tua incrível inteligência e cultura, e é de salientar a energia que n u n c a te falta (excepto durante todas ou quase todas as tardes da semana ...) e a impulsividade das tuas acções. Alio estas características com a tua bondade e ternura.

não vou terminar com os clichés do costume; felicitando-te pela pessoa que és ou até mesmo desejar-te as maiores felicidades, porque o que mais há por aí são frases bonitas e feitas que são completamente vazias.

não espero com isto nenhum tipo de gratificação, espero antes que eu continue a ser, e passo a citar "parte integrante do teu ser".

Gosto i-men-so de ti.



Raquel

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ó tempo, volta para trás


No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, eu ignorava a impermanência da vida, a transitoriedade das coisas, a efemeridade do ser.
Não existia lugar para um sorriso frio carente de parceiro, para um lágrima sedenta de experimentar a força da gravidade, para uma brincadeira consumida pela fadiga.
Sorria com a pureza do primeiro beijo, chorava com a inocência da primeira palavra, brincava com a vivacidade do primeiro choro.

No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, eu estava em tréguas com a morte. Todas as personagens do livro da minha vida continuavam a traçar a sua história, a colorir o cenário, abraçados por esse exímio cronologista, o tempo.
Quando preparava para festejar o dia dos meus anos, a morte saiu da penumbra e fez a sua primeira vítima, o patriarca da família.
- Sim, chorei (ainda choro)
- Sim, sofri (ainda sofro)
- Não, jamais esquecerei.

O tempo em que festejavam o dia dos meus anos ganhou um significado nostálgico, substituindo a felicidade primitiva.
Despertou em mim o respeito pela morte, a imponência do intragável tempo.

A existência flui, flui como um sopro em constante mutação, nada jamais volta a ser o mesmo, nem mesmo o tempo em que festejavam o dia dos meus anos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

É isto a liberdade?


No dia 24 de Abril pelas 22:55h passa na rádio a música ‘E Depois do Adeus’. Poucas horas depois, quando o relógio marcava 00:20h, passa a música ‘Grândola Vila Morena’ de Zeca Afonso. Estava abrasado o rastilho que iria culminar na Revolução dos Cravos.


No dia 25 de Abril de 1974, o povo saiu à rua. Veio festejar a Liberdade. Foram várias décadas a escutar as vozes do regime; várias décadas a ler as frases do regime; várias décadas a viver aventura do regime. O povo sofreu, chorou e ocultou tudo aquilo que teve de suportar durante décadas desde o fatídico 28 de Maio de 1926. Estado Novo foi assim designado este período da História de Portugal.


Estado Novo trouxe-nos a propaganda ao Salazarismo e ao regime, trouxe-nos a PIDE para nos controlar, trouxe-nos a Guerra com as colónias e territórios na ìndia, trouxe-nos a Ditadura. Mas mais eficaz do que qualquer cartaz de propaganda, mais incisivo do que qualquer agente da PIDE, mais poderoso do que qualquer guerra ou mesmo ditadura, o Estado Novo deu ao povo o clique necessário. Foi o clique que despertou dentro de cada português, desde a criança ao idoso, ou do mendigo ao médico o anseio de Liberdade. Temos dentro de cada um de nós o poder de escolher, o poder de duvidar, o poder de expressar. Tudo isto é intrínseco ao ser humano. Não existe maior sensação do que sentir que somos livres, mas analogamente, não existe maior flagelo que silenciar a voz, a mente e a razão.


Comandada por honrados homens como Salgueiro Maia, apoiada por bravos políticos como Álvaro Cunhal ou Mário Soares, a revolta militar de 25 de Abril concretizou-se. Mais do que uma vitória dos militares foi uma vitória do povo. Guardaram os seus pensamentos, as suas opiniões, os seus manuscritos para publicarem tudo num único dia. Foram anos e anos a esperar por este dia. Um país maioritariamente rural, conservador cujo seu lema por muito tempo resumiu-se ao mito do ‘orgulhosamente sós’, renasceu.


Quase a completar 35 anos, que conclusões podemos tirar do Pós 25 de Abril? Entramos na União Europeia, realizamos a Expo 98 e o Euro 2004, mas em que quadro nos inserimos actualmente? O sistema capitalista faliu, estão a nascer os ‘novos pobres’ em Portugal. São mais de 2 milhões de pessoas que todos os dias lutam para sobreviver. Cada dia é uma batalha ganha, onde a guerra só acabará no dia em que expirarem e viajarem para a sua última morada.


Não basta ter a alma de um navegador, não basta ter a bravura de um cruzado. Todos os dias enfrentamos novos desafios, novas oportunidades aparecem, mas tudo na vida tem um fim. Resta-nos batalhar como fizeram os nossos antepassados e crer. Talvez um dia, numa manhã de nevoeiro cerrado, volte o tal, aquele que está além da Vida e da Morte e venha ‘ressuscitar’ Portugal.

domingo, 21 de março de 2010

Preciso da palavra

Gostaria de expressar-me com o dom da originalidade, mas sinceramente ao estado emocional que me atravessa, pouco de original resta.

Talvez seja a hora de desabafar comigo mesmo. Procurar a verdade, no único lugar onde ela é singular e primitiva-EU.

Sou uma pessoa de falsas modéstias, julgo que cada pessoa é singular e dentro nela existe algo que deva explorar, de modo a criar uma simbiose entre ambas as personagens.

Sinto que deposito demasiada confiança nas pessoas. Agora sinto-me decepcionado.
Talvez seja da minha responsabilidade, não sei avaliar correctamente as pessoas.
Neste momento, sinto que nada é permanente, tudo tem o seu momento de transição.


Não tenho autoridade de acusar, porque ter autoridade seria recusar que sou um simples ser.
Apenas tenho a moralidade de dizer: Afinal, estou errado.

Não vou singularizar, pois são 'um todo'.

Peço desculpa a todas as minhas células nervosas, a cada momento que fiz o meu cérebro aumentar a sua actividade eléctrica.



O virar de página num ponto final.

Apresentação

Ao criar este blogue, fi-lo com o intuito de revelar a minha irreverência.

Espero a colaboração de cada de dos leitores deste blogue

Nomina sunt odiosa

A minha foto
Natureza Tranquilidade Literacia Inteligência