terça-feira, 6 de julho de 2010

Fala-me do Futuro


Questiono-me sobre o valor do futuro. Silêncio
Questiono-me sobre a efémeride do futuro. Silêncio
Questiono-me sobre a noção do futuro. Silêncio

Queria saber explicar o futuro, não o sei, o futuro é agora. É a contradição perfomativa do tempo, o futuro é daqui a um milésimo, um centésimo, um décimo, um segundo, um minuto, uma hora, um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década, um jubileu, um século, um milénio. O futuro é uma equação matemática composta pelas variáveis infinitésimais do tempo elevado à raiz da criatividade humana.

Queria saber compreender o futuro, não o sei, o futuro é irracional. Ainda não compreendi como o Homem programou a máquina do Tempo, perdi a conta aos inúmeros cálculos que operacionei para desmontar o meu futuro, o resultado sempre o mesmo, uma enorme conta algébrica com demasiadas variáveis dependentes do fragmento humano.
Jamais entenderei o papel dos cartomantes, dos mestres, dos tarólogos, será que estes já descobriram os circuitos electrónicos da Máquina do Tempo?

Queria saber avaliar o futuro, não o sei, o futuro é desconcertante. Hoje acordei sedento do futuro, talvez por me ter deitado demasiados vezes a consumir a minha mente com o futuro. Hoje sei que a maior parte do meu cérebro está coberta pelo vulto do futuro, o enorme monstro consumidor de células nervosas que todos os dias nos impingem interrogações, reflexões: E amanhã?

Não sei porque o Homem criou o futuro, se foi para rivalizar com os seus companheiros temporais se para devastar seres demasiado pensantes como eu. Fiz demasiados esboços sobre o futuro, nenhum deles foi imprimido pela Máquina do Tempo, todos eles acabaram por ser deletados enquanto o presente se encarregava de borratar certas linhas e, o passado, provocava falhas na codificação de esboços já consumados pelo mecanismo temporal.

O Futuro é AGORA!

Nomina sunt odiosa

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